por rdd48856 » 06 ago 2019, 07:05
Bom e vou tirar um pouco do pó aqui ao D.B. do Journey para relatar a viagem ao parque Warner em Madrid.
Para lá o trajeto seria o da imagem abaixo, Sevilha, Mérida, Madrid.

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Partida cerca das 7H00 com o depósito de GPL atestado de véspera ( o depósito de gasolina estava pouco mais de meio, pelo que tinha uma autonomia total combinada de mais de 1100Km), cinco pessoas e respetiva tralha, pneus com a pressão indicada para A.E.(2.3 bar).
Fiz o troço da A22 até à fronteira a cerca de 140/150 Km/h de velocímetro e depois de entrar em território espanhol coloquei o cruise control a 135Km/h, uma vez que, ao contrário do que sucede em Portugal, onde a tolerância é de 10 Km/h independentemente da velocidade, em Espanha nas Autoestradas a tolerância é de 7% nos radares móveis(não assinalados) e de 5% nos fixos(anunciados), ou seja a partir de 128, ou de 126 Km/h, respetivamente, habilitamo-nos a um brinde de 100€ (mais 40€ do que em Portugal). Como o erro de velocímetro do Journey a estas velocidades são uns generosos 10Km/h (comprovado por GPS), estaria seguro.
No entanto esta primeira utilização de uso intensivo do cruise control não me seduziu (tenho carro com cruise control desde 2010). Cada vez que tinha que travar o cruise control desligava e lá tinha que o recolocar novamente. Por vezes esquecia-me e quando dava por ela já ia a mais de 140 Km/h!
Um pouco antes das 9H30 (ou 10H30, hora espanhola) comecei à procura de uma área de serviço para trocar de condutor e verter águas. Reparei que, ao contrário do que acontece em Portugal, em que existem áreas de serviço convenientemente distribuídas, no caso das Autovías a situação é bem diferente. A maior parte dos sinais que indicam área de serviço na prática apontam para nós de saída da Autovía, estando a estação de serviço fora da Autoestrada, assim acabei por fazer uma paragem de 5 minutos na localidade de Santa Ollala del Cala.
Tinha planeado também fazer uma paragem em Mérida para almoçar e reabastecer, mas como ainda era cedo acabei por adiá-la. Para identificar áreas de serviço com GPL utilizei, ainda em casa, o site:
https://gaslicuado.org/autogas/donde-repostar/ e instalei depois a aplicação
https://play.google.com/store/apps/deta ... mv.aoglp20. Utilizando esta aplicação verifiquei que a área de serviço da CEPSA de El Trujillo tinha GPL. Será que, tendo em consideração a menor pressão das bombas em Espanha e o facto de estar a utilizar um kit de injeção líquida, conseguiria abastecer? A meu favor tinha a temperatura ambiente relativamente baixa (26ºC) e a pausa para almoço, que me permitira baixar um pouco a temperatura do depósito antes de abastecer. Tinha outra estratégia à disposição (comutar para gasolina uns 10 ou 20Km antes de parar), mas para já não a iria utilizar.
Parei por volta das 11H45. Aproveitei para inspecionar o reservatório de GPL da bomba. O manómetro indicava 8,5 bar, o que a 26ºC corresponde a propano e não a mistura propano-butano. Isto poderia confirmar as informações oficiosas que se vão sabendo e que indicam que também em Espanha, e com exceção da REPSOL, as gasolineiras começam cada vez mais a utilizar propano puro. Isto por um lado facilita o abastecimento (embora a pressão máxima das bombas espanholas seja ainda assim inferior à utilizada em Portugal), mas por outro pode dificultá-lo, caso uma bomba apresente mistura em vez de propano puro, com temperaturas elevadas.
Não tive quaisquer problemas no abastecimento. Abasteci 34 litros para uma distância percorrida de 473 Km, a um preço de 0,704€/l, correspondendo a um consumo médio de 7,2L/100km (6.3 de C.B.).
Próxima paragem: Madrid.
Tive que resolver de véspera um problema inesperado. A casa que aluguei fica nos limites da zona de circulação restrita de “Madrid Central”, em que apenas carros pouco poluentes podem circular. Contactei o atendimento on-line do Ayuntamiento de Madrid (
https://www.madrid.es/portal/site/munimadrid) e explicaram-me que o Journey, por ser híbrido, poderia ter acesso a “Madrid Central” caso tivesse matrícula espanhola e autocolante da DGT a certificar baixas emissões. Tendo matrícula portuguesa nada feito.
Isto é um caso de discriminação penalizado pelas regras da União Europeia (nada que em Portugal não se faça aos carros espanhóis nas portagens das SCUT). Assim tive que arranjar um parque de estacionamento fora da zona de “Madrid Central”. Depois de quase uma tarde inteira, lá consegui encontrar (e reservar) um parque próximo da estação de Atocha, sem ser necessário deixar a chave (porque nesses nunca sabemos por onde os nossos carros vão passear). O Journey ficou em boa companhia, um Toyota Corolla Touring Sports Hybrid. Aliás em Madrid híbridos é o que não falta.
A estadia em Madrid decorreu sem incidentes. Referência positiva apenas para a forma como os cidadãos com deficiência são tratados, quer nos transportes públicos, quer no Parque Warner.
No regresso aproveitámos para visitar Toledo e optámos (erradamente, como veremos) pelo trajeto Toledo, Córdoba, Sevilha.

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A viagem coincidiu com uma das famosas ondas de calor a que Portugal escapou. Embriagado pelo sucesso do primeiro abastecimento descurei o segundo, e em vez de o concretizar na véspera ou de manhã deixei-o para a viagem.
Próximo de La Carolina o Journey entrou na reserva e decidi que era hora de reabastecer. O funcionário premiu o botão e…nada. Estavam 43ºC, os depósitos eram exteriores e sem arrefecimento por jato de água. Eram 19H00 (hora espanhola) e a minha esperança era a de que a circulação a gasolina, associada ao diminuir da temperatura ambiente, me permitisse finalmente abastecer.
Em compensação estava a fazer médias muito baixas tendo em atenção as velocidades praticadas (5,6 de C.B.), a que não podiam deixar de ser estranhas o calor e a altitude da meseta ibérica, que diminuindo a densidade do ar baixavam o atrito aerodinâmico.
Fiz mais 2 tentativas sem sucesso. Estava a entrar na reserva também a gasolina e aproveitei a pausa para o jantar em Sevilha para reabastecer de gasolina (a um preço de 1,199€/l), resumindo os cerca de 200Km que fiz a gasolina acabaram por não sair assim tão caro!
Seguidamente, e quando já havia perdido a esperança, consegui finalmente reabastecer de GPL. A temperatura era de 23ºC, cerca das 21H30 e o carro já não trabalhava a GPL há umas 2 horas.
O consumo registado acabou por não ter qualquer significado (3,9l).
Cheguei a casa ainda antes das 23h00(hora portuguesa).
Resumindo, em Espanha abasteçam de noite ou de manhã, mas nunca de tarde com temperaturas elevadas.